Um testemunho do poder de Deus

... se não fosse a misericórdia de Deus, hoje eu não mais estaria aqui.

Tudo começou quando eu gozava a plenitude da minha juventude. Tinha 28 anos, e uma vida inteira pela frente, quando comecei a sentir diariamente uma febre incômoda, ao final da tarde, que me trazia uma sensação de sono e preguiça. Sempre tomava um comprimido antitérmico, e esquecia o assunto. Estávamos em Fevereiro de 1978, e esperávamos o nascimento de nossa primeira filha..

Durante mais de uma semana a febre ia e voltava. Num domingo, conversei com um irmão da igreja, médico conceituado em nossa cidade, e ele me orientou que fosse ao seu consultório logo na segunda feira.

Cheguei ao consultório, o Dr. Marcos Daniel fez as perguntas de praxe, e solicitou alguns exames de rotina. Fiz os exames solicitados, e retornei com os resultados para que ele avaliasse. Pude perceber uma preocupação estampada em seu rosto, quando ele me perguntou: Você está pronto para ser internado agora? Preciso pedir mais alguns exames, e é necessário que você esteja no hospital.

Argumentei que meu carro estava estacionado lá em baixo, e no que ele contra-argumentou: "podemos pedir a alguém para buscar seu carro! você vai agora para o hospital!"

Diante de tamanha ordem, não discuti; Fui conduzido por ele mesmo ao hospital, onde fiquei internado.

Foram dez dias de exames, e nada foi descoberto... mas eu continuava com febre. Um mes depois, nascia Flávia, nossa primogênita, e foi logo envolvida em todo esse drama que eu sofria.

Fui orientado a procurar um médico famoso em Salvador, na Bahia, que poderia mostrar uma luz no fundo do túnel... No final de abril de 1978, buscamos mais esse recurso, mas foi em vão. Eu não tinha nada, segundo o médico, e do jeito que cheguei àquela cidade, retornei para Vitória.

Mas continuava com febre. E comecei a sentir dores muito fortes na região abdominal.

Dr. Marcos decidiu que iria me internar de novo, desta vez para me submeter à uma cirurgia com o objetivo de chegar a alguma conclusão. Cirugia marcada, equipe preparada, e eu estava nas mãos dos médicos, e acima de tudo nas mãos de Deus. Era dia 20 de junho de 1978, e Flavia estava completando dois meses de vida
Tudo correu bem, retiraram amostras dos tecidos do fígado e do intestino, e extraíram meu baço, que apresentava dilatado e totalmente infeccionado pela esquitossomose (doença do caramujo).
Como resultado dos exames no material recolhido, o diagnóstico foi cruel: Eu era portador de um câncer não muito comum, conhecido como "linfoma" ou "Mal de Hodgkin".

A febre persistia, e as dores também não davam trégua.

A sentença estava assinada! só faltava acrescentar a data, coisa que, segundo a medicina, seria dentro dos próximos 90 dias.

A primeira instrução de tratamento, para amenizar o sofrimento ou prolongar a vida, foi a quimioterapia. O Dr. Marcos me chamou, e me disse que ele estava empenhado em cuidar de mim, mas que dependeria, em muito, da minha persistência e de minha disciplina em seguir todas as orientações. Mas não me falou o que eu tinha. Continuei sem saber que o meu caso era grave.

Passei por duas sessões quimioterápicas, que não trouxeram nenhuma melhoria para o meu quadro. A essa altura, meu intestino havia parado de funcionar, e eu me alimentava, praticamente com líquidos. As dores agora, eram intensas, a ponto de me fazer desejar a morte. Já estávamos em pleno mes de Julho de 1978. No último dia desse mes, percebi um movimento em casa, minha ex-esposa arrumando minha mala, e eu perguntei o que era aquilo. Ela respondeu: Você vai para Ribeirão Preto, pois lá existem mais recursos, e eles poderão descobrir o que você tem.

Havia um médico que era tio dela, e, diante do quadro que eu apresentava, ele disse que lá eu sofreria menos nos meus últimos meses de vida.

No dia 2 de agosto, eu embarquei no Aeroporto de Vitória, com destino ao desconhecido... eu não sabia de nada. Mas uma coisa me deixou "de orelha em pé": Tinha muita gente no Aeroporto pra me desejar uma boa viagem... um bom tratamento... um breve retorno. Aquilo fez meu raciocínio lógico funcionar, e concluir: "esse pessoal não veio aqui só pra me presitigiar... eles vieram aqui se despedir definitivamente de mim..."

Aí a ficha caiu de vez! Subi as escadas do avião amparado pelo meu ex-sogro (saudosa memória), pois meu estado físico não me permitia subir sem ajuda, além das dores que continuavam. Tomamos nossos lugares, e eu comecei a conversar com Deus, logo que o avião levantou vôo.

Meu diálogo com Deus, sob uma ótica bastante humana, foi mais ou menos assim:

- Senhor, pela quantidade de pessoas que eu vi lá em baixo, eu acho que eles vieram me ver pela última vez... eu até vi amigos chorando escondidos! ...e eu não quero morrer!

Sabe, Senhor, eu tenho uma filha de três meses... eu preciso criar minha filha, preciso cuidar dela... o Senhor não pode me levar agora!!!

Diante desse argumento, eu imagino que o Senhor balançou a cabeça e retrucou:

- Eu sou muito mais PAI que você... EU cuido da Flávia...

Voltei a contra argumentar>

- Senhor! eu tenho tocado nas igrejas... preciso louvar e mostrar a todos o talento que o Senhor me deu!!! O Senhor sabe que a música amolece o coração do pecador, não é, Senhor?

Mais uma vez, imagino que o Senhor balançou a cabeça e respondeu:

- Eu levanto quantos talentos Eu quiser. Até muito melhores do que você...

Eu sentia necessidade de continuar a discutir com Deus, e tive uma outra idéia:

- Senhor! se eu for curado, eu terei um testemunho pra dar ao mundo, acerca do Seu poder!!!

Creio que esse argumento tocou no coração de Deus, pois eu senti muita paz após ter falado isso. Creio que o Pai balançou a cabeça afirmativamente, dizendo:

- Filho! contra este argumento não posso fazer nada... só você pode dar testemunho de sua cura...

A viagem chegou ao fim. Avião estacionado no Aeroporto de Ribeirão Preto(SP), passageiros se levantando, eu também me levantei, institivamente abri a porta do bagageiro, e peguei minha bolsa. Imediatamente fui interpelado pelo meu ex-sogro: "deixa aí, meu filho, eu pego pra você" ... Eu insisti, e saí em direção à porta do avião, carregando minha bolsa.

Quando cheguei na sala de desembarque, percebi que não estava sentindo dor nenhuma. Fomos recebidos pelo tio, que nos levou para sua casa. Chegando lá, pude sentir um cheiro delicioso de comida que vinha da cozinha. Como eu estava com o intestino paralisado, eu sentia náuseas só de sentir cheiro de comida, e isso pra mim foi até engraçado, pois eu sabia que não cabia nada no meu estômago...

Comecei a sentir uma dorzinha incômoda, e pensei que a dor que me afligia havia voltado...

Mas não era aquela dor; ERA DOR DE BARRIGA MESMO!!!

E isso me fez correr para o banheiro, e o milagre se manifestou.

Meu intestino eliminou tudo o que estava acumulado nos últimos 30 dias, e eu estava pronto para mais uma refeição. Foi a primeira, depois de muitos dias tomando somente líquidos.

No dia seguinte fui encaminhado para o Hospital da Clínicas, e recebido no setor de triagem. Tres médicos se aproximaram e começaram a me fazer perguntas.

--------- Se você leu até aqui, aguarde, que vou acabar de escrever em breve-------

 

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